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sábado, 12 de janeiro de 2013

O deus do tempo não tem agenda



"Não é chegada a minha hora". Falou o Filho de Deus, desses deuses que se escreve com D maiúsculo, desses que controlam todas as coisas, que requerem todos os louvores e que lançam no fogo do inferno qualquer um que ousar escrever seu nome com iniciais minúsculas.

"Não é chegada a minha hora", falou o divino, como se não tivesse nada a ver com nossas horas, como se essa não fosse a sua terra. Como quando era menino rebelde e disse a josé: "Você não é meu pai" (Lucas 2.41-52), dizendo que a casa dele mesmo era a casa do Pai Celestial.

Falou. E se eu tivesse falado teria levado uma mãozada na boca, pra aprender a respeitar. Sem deixar Jesus falar muito, Maria arrumou as coisas para que Jesus cumprisse sua vontade. Arrumou os serviçais como uma mãe põe o dinheiro do pão sobre a mesa, mesmo após o filho negar o seu pedido de ir comprar os pães do jantar.

O filho de Maria falou e se tivesse persistido teria estragado a festa; acabaria com a alegria humana, por pura birra e sem motivos ou por obsessão Divina de manter a sua imutável agenda.

Nessa hora, Jesus aprendeu a contar as horas nas batidas de seu coração humano. Aprendeu/ensinou que quando a gente ama já não se é dono dos próprios relógios, porque o outro invade-nos com seus tempos, suas agendas; que quando queremos bem a alguém não podemos mais almejar conquistas solitárias. Diante de quem ama, o Deus do tempo perdeu suas horas; apresentou-se como um deus sem horas marcadas, rasgou o calenário e o refez, e dali por diante refaria quantas vezes fossem precisas em prol daqueles que faziam seus olhos brillhar. Ensinou assim que a maior prova de amor é dedicar o próprio tempo, esquecer a agenda, ou não manter outra programação que estar ao lado de quem amamos.

É preciso dizer que em nossos dias o amor se soletra assim: T-E-M-P-O. Com paciência de acompanhar o passo do outro. “Tempo é ternura. Perder tempo é a maior demonstração de afeto. Não economizar esforço, não simplificar, desperdiçar simpatia" — Fabrício Carpinejar. "Na época que privilegia o utilitarismo, só há técnicas de administrar o tempo. Ninguém ensina a parar o relógio na hora de escrever para um amigo, bater papo despreocupadamente ou mesmo verbalizar o carinho" — Pavarine.

O deus do tempo não tem agenda a ser amar. Assim nós também façamos, a fim de que na busca e no corre-corre de a tudo dominar, a tudo tique-taquear, não percamos nossa alma e aqueles que a fazem feliz, nossos amados e amadas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O homem e o tempo


O homem vil notou que o tempo viu
o espaço que, antes era largo,
passou a ser estreito.
O tempo vil que o homem viu
seu horizonte observável
entrar em colapso.

O homem viu que o tempo vil
era inclemente na sua travessia
rumo a outra margem.
O tempo viu que o homem vil
não desistia de ir em frente,
a pesar das pedras no caminho.

O tempo vil notou que o homem viu
um travesseiro em cada pedra
e o tropeço era motivo para sonhar.
O homem viu que o tempo vil,
que não tem cor nem cheiro,
no espaço, em expansão, é forasteiro.

O homem vil viu que o tempo não é vil,
que uns lhe chamam deus,
outros, ainda, riqueza.
O tempo viu que o homem era insistente
E que a bondade e a misericórdia
também se fizeram estrada.

Wendel Cavalcante
www.estradasou.blogspot.com

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PARA TODOS QUE CHORAM

Carta aberta da executiva da Rede FALE sobre as mortes acontecidas na escola Tasso da Silveira em Realengo, Rio de Janeiro.


Chorar é um ato radical, é o clamor da alma. É derramar a mais pura essência do sentimento em gotas cálidas de emoção. Sim, sabemos que alguns choram de alegria, e que elas podem expressar o nascimento de uma criança, porém hoje vertemos lágrimas por pequeninos tiveram suas vidas ceifadas tragicamente.
Não há palavras que traduza o nó na garganta ante a barbárie vivida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. É inaceitável pensar na ideia de que crianças sejam alvo de tamanha brutalidade. Porém é mais inaceitável ainda que alguém tenha acesso tão fácil a armas e munição.
A transbordante violência acontecida nesse ato louco é tão somente o sintoma de algo que é visto em proporções menores todos os dias. Pessoas de todas as idades morrem cotidianamente em nossas cidades vitimadas por armas de fogo. Muitas dessas armas letais chegam na mão de qualquer um porque ainda há uma grande circulação delas e falta de fiscalização do estado. É comprovado que a presença delas nos lares faz também aumentar grandemente as chances de acidentes, suicídios e homicídios culposos ou mesmo dolosos, em vez de servir como mecanismo de defesa.
Em 2005 (ano do referendo sobre o desarmamento), a Rede FALE mobilizou-se com a campanha FALE PELO DESARMAMENTO que, entre outras reivindicações, pedia a adoção de medidas rigorosas para o controle da produção, importação, exportação e circulação de armas de fogo e munição em nosso país, fiscalizando-se também, com maior eficiência, as empresas de segurança privada e polícias, a fim de serem coibidos os desvios de armamentos para organizações criminosas e a imprescindível proibição do comércio de armas para a população civil.
Na disputa do referendo sobre o comércio de armas, os vencedores coordenaram a campanha do VOTO contrário ao desarmamento, foram bancados pela indústria de armas e deram a falsa ideia de que votar “Sim” seria o mesmo que favorecer os criminosos. Hoje a maioria dos crimes e assassinatos são praticados com armas provenientes do mercado legal, prova cabal de que tal alegação não passava de sofisma.
A Bíblia afirma que Deus enxugará dos olhos todas as lágrimas. Sim, é verdade... Mas muitas dessas lágrimas poderiam ser evitadas! Até quando instrumentos de morte serão fabricados com a desculpa de trazer segurança? Quantas outras vítimas involuntárias irão tombar para que nossa gente tome consciência do poder destrutivo das armas? Quantos “brasileirinhos e brasileirinhas” ainda terão suas vidas tomadas pelo terror que nos cerca enquanto o estado brasileiro teima em não criar políticas públicas que fortaleçam uma cultura de paz?
A Rede FALE se manifesta em favor da vida. Para todos que também choram conosco diante da violência acontecida em Realengo, nossa mensagem é:
Chorar é um estado de alma, é ser plenamente humano e totalmente divino. É um bem espiritual que Deus nos dá. É a capacidade de sentir numa época onde a lógica é ter peito de pedra e coração de latão. Felizes são os que choram, pois deles é o Reino de um Deus que por meio do seu sangue reconcilia toda a sua criação. Queremos convocar todos vocês que orem junto conosco para que nosso país converta “...suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices”(Isaías 2:4).

Em Cristo, o Príncipe da paz.



Caio  Marçal – Secretário de Mobilização Nacional da Rede FALE
mobilizacao@fale.org.br
www.fale.org.br
Twitter: @redefale
"Fale a favor daqueles que não podem se defender. Proteja os direitos de todos os desamparados. Fale por eles e seja um juiz justo. Proteja os direitos dos pobres e dos necessitados". Provérbios 31: 8 e 9

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

VaRIaÇÃo

 
(Márcio Cardoso)
Às vezes me sinto qual despedida
hiato entre o sim e o talvez
Às vezes me sinto feito saudade
um cheiro de vida e adeus
Às vezes me sinto nublado e frio
ora completo, ora vazio
Sou dias de flores, de sóis, de amores
às vezes somente um nó

Às vezes sou festa, sou dança e canção
ora se cala o meu coração
Mas todas às vezes sem variação
eu sou querido de Deus
Às vezes sou pedra, coluna e rio
ora incerteza, vexame, arrepio
Mas todas às vezes de graça e paixão
eu sou amado de Deus

Eu sou querido de Deus
Eu sou filho de Deus

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Vale quanto pesa



É incrível como algumas pessoas criam uma escala para mensurar os erros dos outros.

E minha imaginação ganha asas e casa dois episódios narrados nos Evangelhos: o de Pedro (Jo 18. 17-22), por ter negado a Cristo por três vezes, antes do amanhecer; e o de Judas (Mt 26. 14-25), que vendeu a informação por trinta moedas de prata.

O que pesa mais? Três ou Trinta?

Por mais absurdo que pareça, aqui três tem o mesmo peso de trinta!

Talvez, numa primeira leitura da narrativa  os números não saltem imediatamente diante dos nossos olhos. Pedro nega Jesus por três vezes. Antes é perguntado, por três vezes, se amava o Mestre.

Mas o que torna Pedro e Judas diferentes, uma vez que o peso de três negações é igual ao peso de trinta moedas?

Gostei, certa vez, da explicação de um amigo que disse: "a diferença entre Pedro e Judas reside no fato de Pedro não ter desistido da vida"!

Nosso desafio é olhar para além de nós mesmos sem a tentação de querer bater o martelo do juiz, uma vez que quem podia ter agido com inclemência, chamou Judas de amigo e esperou Pedro na beira da praia com pão e peixe assando na brasa.
 

Abração e beijo no coração!

Wendel Cavalcante
www.estradasou.blogspot.com

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre perfumes


Meditando esse dias dias no Evangelho de Jesus Cristo, segundo João, me deparei com um diálogo muito conhecido, entre Jesus e Nicodemos.
Diálogo esse que rendeu, senão, o versículo mais conhecido da Bíblia:
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3. 16).
Quem era Nicodemos?
Um líder do Concílio dos judeus. Também era mestre entre o seu povo. Mas que não foi capaz de transpor a barreira da literalidade de como via o mundo. Prova disso foi o fato de ter ido ao encontro de Jesus na calada da noite.
Talvez por medo do que os outros líderes iriam falar ao seu respeito. Talvez por medo de não mais ser aceito pelos seus colegas depois de saberem que esteve com o Jovem Galileu.
Mas quando fazemos uma leitura atenta dos evangelhos, vemos que não foi exclusividade de Nicodemos fazer uma leitura literal da pessoa e da mensagem de Jesus.
Lembram da mulher samaritana? Pediu logo a "água viva" de Jesus, pois nunca mais queria ter sede (e tão pouco voltar ao trabalho exaustivo de puxar água no poço. Quem já puxou corda numa cacimba para encher potes, tinas e outras vasilhas sabe das dores, calos e cansaço resultantes desse árdua trabalho!!).
No primeiro momento, ela não poderia falar com um judeu (Jesus era judeu). Mas quando ouviu sobre a "água viva" logo se interessou (Jo 4).
Lembram da multidão que queria mais sinais? Jesus multiplicou os pães e peixes e a multidão foi atrás dele para que fizesse outros sinais para que eles pudéssem crer!!! Ainda por cima, "botaram maior boneco"(*) quando Jesus disse: "Eu sou o pão que desceu do céu" (Jo 6. 41).
No capítulo 7 de João, ninguém falava dEle abertamente por causa dos judeus.
E outros tantos. Incentivo que leiam os evangelhos!
Mas o que tem haver falar sobre perfumes?
No capítulo 12 do evangelho segundo João vemos que  Maria, a irmã de Lázaro, derramou um perfume precioso nos pés de Jesus, tendo o aroma sem igual tomado imediatamente toda a casa.
O fato de homens estarem reunidos à mesa não impediu a transposição dessa barreira cultural, ou seja, da literalidade e rigor da tradição, fazendo com que o movimento daquela mulher fosse aceito no meio dos homens, ali reunidos, pelo Filho do Homem (as mulheres não permaneciam nos ambientes onde se encontravam somente homens reunidos).
Nicodemos foi derramar perfume em Jesus quando estava morto, mais uma vez, na calada da noite (Jo 19. 38-39).
Mas graças a Deus, que expressou Seu amor de uma forma indescritível ("tal maneira"), por Suas misericórdias que duram para sempre e sua bondade que Jesus ressuscitou!
E assim, o perfume de Nicodemos pode se resignificar!
E você?
Tem procurado perfumar a vida a sua volta ou guarda o melhor de você para perfumar a morte?

Beijo no coração!


Wendel Cavalcante
www.estradasou.blogspot.com


(*) Botar maior boneco: termo do linguajar cearense que significa fazer confusão, resmungar, murmurar, fazer pirraça.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

IPL 2011 - abub: Vida em Seu nome!

IPL 2011 - abub: Vida em Seu nome!: " 'Estes sinais miraculosos foram registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e crendo, tenham Vida em Seu nome'..."

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Convite - Rede FALE Fortaleza

EVENTO: Encontro de Articulação da Rede FALE Fortaleza
DATA: 18 de Setembro de 2010
HORÁRIO: 16h às 18h
LOCAL: Igreja Betesda do Joaquim Távora
Rua Capitão Gustavo, 3552 - Joaquim Távora / Fortaleza-CE
CONTATO: Pedro(8844.3191), Lucas(8734.2468), 
                      Glauco(8818.5780), Wendel(8859.7779)

Site Nacional: http://www.fale.org.br

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Uma colheita de pedras

Em seu jeito rude, Seu Dolivaldo chega a ser ríspido com as palavras, a um passo ou meio da ofensa moral e Maria Nilda, em seu jeito meio lânguido, mais pra romântico que pragmático, trouxe mais uma historinha de Jesus, com o visível intento de lançar a carapuça.

– Jesus vinha vindo pela terra, sabe, e encontrou um fazendeiro feioso que estava plantando. Aí, Jesus perguntou: “O que estás plantando?” e sabe o que o homem respondeu? “pedras”. Então Jesus falou assim pra ele: “Pedras plantais e pedras colherás!”. No outro dia de manhã, quando o homem foi olhar sua roça, tinha uma plantação de pedra maior do que essa vila e mais dura do que sua cara feia.

Não quero comentar nem o barraco armado nem a cara de Seu Dolivaldo, nem o dengo de Maria Nilda, mas fico pensando sobre o valor encontrado nesse evangelho popular meio mítico e misterioso e de sua ampla utilização pelo nosso povo.

Esse Jesus nordestino também amaldiçoa e traz palavras pesadas como pedras para quem tem a mania de plantar pedras. Essas palavras do evangelho de que o homem colhe o que semeia (Gl 6,7) é transformado em lei da linguagem e das relações humanas. Quem joga palavras como quem joga pedras está preparando o seu próprio apedrejamento.

Seu Dolivaldo e Maria Nilda tem duas maneiras de usar as palavras, mas não tenho certeza se a história contada por ela não foi uma pedrada cuja mira apontava cuidadosamente para a cabeça daquele. As pedras não precisam ser pontiagudas, quando lisas, arredondadas e coloridas, também causam danos e provocam acidentes; até mesmo morte.

Muitas são as vítimas das pedradas atiradas e alguns de nós somos sobreviventes de apedrejamentos lingüísticos. Por outro lado, algumas palavras nos formaram ou ajudaram a formar enquanto pessoas, de modo sistemático e positivo.

Também somos lançadores de palavras que, como bumerangues, retornam sobre nós mesmos. Palavras são sementes que plantamos nos campos das relações afetivas. Somos agricultores, cuidadosos ou descuidados, e vamos descobrindo que colhe flores quem planta flores e colhe pedras quem planta pedras.

Marcos Monteiro.

Fonte: http://www.madoniram.blogspot.com/
Marcadores: Vila Maravila
Postado originalmente em 02 de agosto de 2010.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Haiti é aqui.



Por Wellington Santos*

Desde a última sexta-feira, dia 18 de junho, temos sofrido com o cenário de guerra e o rastro de destruição, causados pelas últimas chuvas que caíram em Pernambuco e Alagoas. Os números ainda não são seguros, o fato, porém, é que muitas vidas se foram, cidades como Santana do Mundaú e Branquinha foram totalmente arrasadas e destruídas pelas correntezas.
Estive visitando Lourenço de Albuquerque em Rio Largo, Utinga e Murici. Quanta dor, destruição, tristeza e imensa necessidade. É importante destacar entretanto, que o cenário de miséria e pobreza que nos deparamos não é fruto desta tragédia natural da última sexta-feira,mas resultado de anos de corrupção, desvio de verbas públicas, coronelismo, preguiça e irresponsabilidade eleitoral por parte do povo que escolhe muito mal seus representantes. É bom ficar de olhos bem abertos para não culparmos as chuvas e a natureza, livrando assim os maus gestores públicos e porque não dizer, livrando nossa parcela de culpa, quando fazemos negociatas e ou trocamos novo precioso voto por “favores” vergonhosos. O Pr. Reginaldo Silva, da ONG alemã Kindernothilfe, que atua no nordeste na proteção e cuidado social com crianças afirma: “Venho aqui me solidarizar com os alagoanos e alagoanas que foram vítimas diretas da tragédia causada, não pelas chuvas, mas pela falta de políticas sociais que não resolve os problemas das ocupações desordenadas, da falta de moradia, de educação ambiental etc. Se observarmos bem, veremos que é a falta destas e de outras coisas que causam tragédias como a mais recente”
Precisamos agora arregaçar nossas mangas, por a mão na massa, repartir o pão e partir para livrar nossos irmãos e irmãs mais frágeis e desprotegidos desta situação de caos. Contamos com a colaboração de todas e todas que porventura lerem esta breve reflexão. Precisamos arrecadar colchões, lençóis, toalhas, agasalhos, água potável, cestas básicas, móveis usados, etc.
Continuemos orando, repartindo o pão e atentos aos maus políticos que ainda por cima, como abutres, irão tentar tirar proveito desta situação. Concluo citando o cantor e compositor Gilberto Gil, concordando plenamente com ele, quando afirma: O Haiti é aqui. Posso afirmar com toda convicção, que o Haiti é em Alagoas: 42% de analfabetos, 92% da população ganhando até 2 salários mínimos, concentração de renda e de terra, monocultura da cana de açúcar que enriquece uma minoria e empobrece a grande maioria, violência galopante, índices sócias críticos e agora some-se a tudo isto, 50 mil desabrigados e cidades inteiras destruídas.

*Wellington Santos é pastor da Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió-Alagoas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Chutar o balde

" 'Chutar o balde' é um movimento egoísta que só faz agente perder tempo, aprendemos nesse movimento mas é mais dolorido. Melhor aprender ao lado de um ombro amigo". (Lucas Queiroz)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Insensatol


Meu amigo Bosco, que conheci na Empresa júnior Administração UECE, é quem criou o Insensatol.
Tem muita informação e outras coisas legais também!

E hoje tem uma promoção lá! Confiram! Participem!
http://www.insensatotal.com/2010/03/finalmente-sexta-feira-chegou.html

Abração!

Wendel Cavalcante
www.nossoalpendre.blogspot.com
josewendelf@gmail.com

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


"Se depender de mim, nunca ficarei maduro nem nas ideias nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental".

(Gilberto Freire)

FOTO: http://br.olhares.com/olhando_o_horizonte_foto2016929.html

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DISSERAM QUE O INFERNO EXISTE


Eu alertei você na reflexão anterior para ter o cuidado de não se queimar no fogo do inferno. Inferno? Que inferno? Ah! Tudo bem! Depois do céu, ou seja, quem ousar duvidar dele, vai direto para os quintos do inferno, é assim o processo?

Um dia me disseram que o inferno é um lugar quente, pense num lugar cheio de brasas, será que o “diabo” e seus “anjos” fazem churrasco por lá? Talvez, pois dizem que o diabo gosta muito é de carne, isto mesmo, tudo que é carne, carnal, sei lá, o “bicho é carnívoro até o talo.

Sim! Mais vamos deixar esse “diabo” pra lá, o negócio é saber sobre essa história do inferno. É porque o inferno é quente, é porque o inferno é um lugar de tormento, é a morada dos “demônios e seus “anjos”, é o lugar dos ímpios, é porque o inferno é o caminho largo, da perdição, é porque no inferno tem um caldeirão efervescente e por aí vai tantos e tantos porquês sem fundamentos.

Agora eu me pergunto: será que o céu existe por causa do inferno ou vice versa? E agora? O inferno fica em baixo ou cima, no ar? Será que no inferno tem gente morta ou viva se queimando? Ôxi! E se for gente morta, se queima é? Agora foi que deu!

O cara já sofre que só a gota nessa terra danada e ainda ir sofrer num lugar que o cara nem sabe aonde é que fica. Pense numa bronca! Péra aí! Quer dizer se você for bonzinho, mais bonzinho mesmo, vai pro céu, caso contrário se lasca todo (a) no inferno?

Êita! Cadê o inferno no Antigo Testamento? É sepultura ou lugar de mortos? Pronto! Agora deu! E é até cemitério é? Complicou tudo agora. O céu de Jesus parece existir só em parábolas, desse modo, não é um lugar de mortos, pois quem já viu morto pedir pra molhar o dedo numa gota d’água?

Tem um gibi apocalíptico que é bom que só pra se ler quando você estiver sem fazer nada, mais nada mesmo. Esse gibi bem colorido fala de besta á dragão, um monte de bichinhos exóticos.

Lá o inferno se dana todo e diz que é para o “diabo” e seus “anjos”. Péra aí! É para o danado do diabo e Cia ou para a gente? Resolve isso logo visionário João, por favor.

Uma coisa eu sei, esse negócio de inferno não é comigo não camarada.

Adriano Trajano

Pastor da Igreja Batista em Chã Preta/AL e longe do inferno.

http://www.pastoradrianotrajano.blogspot.com/

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DISSERAM QUE O CÉU EXISTE



Não quero escrever nada! Não quero! Quero apenas vomitar, vomitar palavras, vomitar símbolos, metáforas, crenças e outras coisas mais, sei lá o que. Ta bom! “Pro céu quero ir, ir tu...” Êita! O céu existe? Adentro-me agora em parte do universo celestial protestante.

O céu é bom de mais, pense em um lugar bom para se morar, você não acha? Engraçado, ninguém quer ir morar no céu agora mesmo, quer? Você quer ir para o céu agora? Espere! Deixe terminar de lê o meu blog, afinal, eu também quero ir pra lá.

Meu Deus do céu! Cresci ouvindo falar nesse céu, é céu pra lá é céu pra cá, pense numa ruma de céu que eu sempre escutei. Aprendi que Papai do céu briga, já imaginou? O céu é bom, eu creio nisso, mas é difícil de compreender com a minha pequena massa cefálica, o porquê que ninguém, dito crente, quer ir morar lá agora? Já imaginou? Um lugar bom que ninguém quer ir?

Por que será? O povo da lei de crente em particular, adora o céu, prega o céu, canta o céu, anuncia o céu, ensina o céu e, em muitos casos, impõe-no para os pobres mortais. E o pior é que confundem céu com nova Jerusalém, paraíso, mansões celestiais, reino de Deus, nova terra, casa do Pai, ruas de ouro e cristais, jardim, nuvens e tantas outras nomenclaturas para o céu.

Pense em um céu pra ter nomes! Confesso minha dúvida, qual é o céu verdadeiro que eu vou? Será o céu de Deus? O céu de Jesus? O céu de Cristo? O céu do apostolo Paulo? O céu dos profetas? O céu do visionário João? O céu dos evangelhos ou o céu doapocalipse? Ah! Lembrei!

Será o céu dos missionários catequizadores do povo místico por natureza, digo, dos brasileiros? Qual será o céu mesmo? Será que lá no céu eu irei me encontrar com os meus irmãos e irmãs? Talvez, eu tenha que primeiro cumprir com as mensalidades dos meuscarnês e ainda por cima, ser fiel nos dízimos e ofertas, caso contrário, me lasquei (desculpe-me a empolgação).

Tem hinário que estar completamente recheado de “cânticos espirituais”, de quinhentos, quatrocentos e noventa e nove, falam em céu. Interessante notar que os desejosos e desejosas do céu, a cada dia buscam prosperidade, buscam construir bens terrenos, até dá tempo para planejar o futuro, seus e dos filhos e filhas. Quer dizer que céu agora não? Tudo bem!

Já pensou que paradoxo? Péra aí! Mas, o céu não é bom? Não é nossa morada? E por que aquilo que é bom eu não quero usufruir logo? Estou sem entender mesmo, agora complicou tudo. Um certo dia, eu ouvi um servo de Deus, crente, leitor assíduo da palavra de Deus me dizer: “ ....No céu não entra os mentirosos...”.

Êita! Agora deu certo! Já vi que a maioria dos personagens do Antigo Testamento, das comunidades pós-ressurreiçãoe mais precisamente, dos “santos” missionários, não se encontrará comigo lá no céu. Será que eu vou ta lá também? Hoje mesmo eu menti para uma telefonista de uma dita empresa de cartões de créditos, pois ela queria os números dos meus documentos, e agora? Menti pra ela! Lasquei-me de novo! (desculpe-me a empolgação novamente).

Tudo bem! Se disseram que o céu existe é porque existe mesmo. Você quer conhecê-lo agora mesmo? Topa uma viagem para o paraíso? Péra aí, é paraíso ou céu? Deixa pra lá, o importante é acreditar no que nos disseram.

Vá duvidar pra você vê o que é bom pra tosse, aí você vai queimar no fogo do INFERNO, mas isso será na próxima reflexão. Aqui é só céu. Aguarde o inferno em breve!

Adriano Trajano

Pastor da Igreja Batista em Chã Preta e desejoso do céu.

Mais textos em: http://www.pastoradrianotrajano.blogspot.com

terça-feira, 22 de setembro de 2009

EXISTEM MOMENTOS...


Mateus 26:39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.


Existem momentos em que não percebo mais nenhuma esperança. Existem momentos que não percebo Deus perto de mim e sinto-me jogado na frieza mórbida do meu inferno interior.

Existem momentos em que não desejo mais amar, seja por medo, decepção ou pela incompreensão de quem não entendeu o sentido do meu abraço, o esforço da minha entrega.

Existem momentos que me pergunto: - Quem sou? Sou mesmo o que pensam de mim? Ou aquilo que penso ser? Esse ou aquele?

Existem momentos que acredito que não adianta Deus mudar minha rota, sonhos e perspectivas, achando que os conceitos e preconceitos que os outros nutrem sobre mim criaram um muro intransponível, onde se torna inútil processar essas mudanças na minha vida.

Existem momentos em que levanto meus punhos pro céu e pergunto para Deus por que deixou que me ferisse no caminho que propôs para mim. Nessas horas me dá vontade de jogar tudo pro alto. Tudo, tudo mesmo!!!

Esses momentos realmente existem... Como se a presença de um anjo triste fosse a única e última visão. São nesses momentos onde o suor se confunde com sangue, onde não há esperança, força, ou calor das palavras amigas e da comunhão sincera, que nos assemelhamos a Cristo no Monte das Oliveiras. Local onde a alma chora e o coração desfalece. Aonde a dor é a nossa única companheira e a nuvem cinzenta da morte pousa sobre a cabeça. Aonde o gosto amargo do abandono é o único sabor que permanece na boca.

Mas apesar desses momentos, ao olhar para esse Cristo que se entrega totalmente ao destino horrendo que o espera no Calvário, creio que mesmo quando não vemos esperança, vale a pena lutar! Lutar pela integridade de nossa caminhada e pela grandeza dos Sonhos do Reino de Deus.

Sim! É possível dar um passo à frente mesmo quando não vemos mais saída e a incerteza se mistura a nossa fé, pois creio somente os que marcaram a vida e a história vencendo os desafios ao serem íntegros e relevantes, foram aqueles que não desistiram quando tudo parecia perdido. Posso passar por todos os problemas, sofrimentos, angústias, pois nEle me fortaleço. Ergo minha cabeça e nada temo, pois Deus se solidariza e chora comigo quando atravesso o Vale da Sombra da Morte. Continuo apostando no amor, uma vez que para quem ama nada mais importa!

Quando olho pro Cristo no monte das Oliveiras, não me importo mais com o que pensam ou deixam de pensar sobre mim. Também não mais importam aparências, conceitos, rancores, preconceitos. São aparências, nada mais... Importa unicamente saber quem sou: Sou teu, Senhor!


Caio Marçal - escrito em Fev de 2004