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terça-feira, 22 de setembro de 2009

EXISTEM MOMENTOS...


Mateus 26:39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.


Existem momentos em que não percebo mais nenhuma esperança. Existem momentos que não percebo Deus perto de mim e sinto-me jogado na frieza mórbida do meu inferno interior.

Existem momentos em que não desejo mais amar, seja por medo, decepção ou pela incompreensão de quem não entendeu o sentido do meu abraço, o esforço da minha entrega.

Existem momentos que me pergunto: - Quem sou? Sou mesmo o que pensam de mim? Ou aquilo que penso ser? Esse ou aquele?

Existem momentos que acredito que não adianta Deus mudar minha rota, sonhos e perspectivas, achando que os conceitos e preconceitos que os outros nutrem sobre mim criaram um muro intransponível, onde se torna inútil processar essas mudanças na minha vida.

Existem momentos em que levanto meus punhos pro céu e pergunto para Deus por que deixou que me ferisse no caminho que propôs para mim. Nessas horas me dá vontade de jogar tudo pro alto. Tudo, tudo mesmo!!!

Esses momentos realmente existem... Como se a presença de um anjo triste fosse a única e última visão. São nesses momentos onde o suor se confunde com sangue, onde não há esperança, força, ou calor das palavras amigas e da comunhão sincera, que nos assemelhamos a Cristo no Monte das Oliveiras. Local onde a alma chora e o coração desfalece. Aonde a dor é a nossa única companheira e a nuvem cinzenta da morte pousa sobre a cabeça. Aonde o gosto amargo do abandono é o único sabor que permanece na boca.

Mas apesar desses momentos, ao olhar para esse Cristo que se entrega totalmente ao destino horrendo que o espera no Calvário, creio que mesmo quando não vemos esperança, vale a pena lutar! Lutar pela integridade de nossa caminhada e pela grandeza dos Sonhos do Reino de Deus.

Sim! É possível dar um passo à frente mesmo quando não vemos mais saída e a incerteza se mistura a nossa fé, pois creio somente os que marcaram a vida e a história vencendo os desafios ao serem íntegros e relevantes, foram aqueles que não desistiram quando tudo parecia perdido. Posso passar por todos os problemas, sofrimentos, angústias, pois nEle me fortaleço. Ergo minha cabeça e nada temo, pois Deus se solidariza e chora comigo quando atravesso o Vale da Sombra da Morte. Continuo apostando no amor, uma vez que para quem ama nada mais importa!

Quando olho pro Cristo no monte das Oliveiras, não me importo mais com o que pensam ou deixam de pensar sobre mim. Também não mais importam aparências, conceitos, rancores, preconceitos. São aparências, nada mais... Importa unicamente saber quem sou: Sou teu, Senhor!


Caio Marçal - escrito em Fev de 2004

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A DIMENSÃO PROFÉTICA DA MISSÃO

Caio César Marçal

miseria humana

Sempre que olhamos para a vida dos profetas, notamos sua capacidade de entender os desafios de sua geração e ser canal de Deus para a integral revelação das estruturas corrompidas pelo pecado humano, anunciando a Verdade e Justiça do Reino de Deus.

O profeta era a consciência moral de sua geração, e com tenacidade e coragem, expunha os "pontos de vista" de Deus e lembrando continuamente da vontade de Dele para a nação e desafiava o povo para que vivesse além de uma vida religiosa estéril, medíocre e hipócrita. Seu viver de excelência e compromisso com o Senhor era fruto de um coração sensível, capaz de sentir os gemidos de Deus ante os descaminhos dos homens.

Sonhamos em nossos dias com uma vida cristã autêntica e desejamos uma espiritualidade apaixonada, porém sadia e transformadora, onde a plena vontade de Deus é entendida e obedecida, assim como faziam os profetas. Como isso acontecerá se fechamos os nossos olhos para os problemas de nosso mundo? 

Restaurar a dimensão profética da Missão significa reaprender a olhar as tudo a partir da ótica do Pai celeste e a quebrantar-se com aquilo que quebranta o coração de Deus. Numa época de religiosidade individualista, hedonista e insensível, somos chamados a olhar para os que estão desconectados por esse sistema corrupto e ser voz em favor dos que estão excluídos pela ganância dos homens. Para tanto, é necessário sensibilizar-se ante a dor e o sofrimento humano gerado pelas estruturas apodrecidas pelo pecado. A Missão exige que você e eu levantemos nossas vozes por justiça: "Abra a sua boca, julgue com justiça, defenda o pobre e o indigente". Provérbios 31:9

O testemunho cristão verdadeiro é aquele que sai do discurso e se faz em atos que promovam a dignidade de toda mulher e homem. O profeta Jeremias nos mostra que a prova que conhecemos a Deus é o fato de sermos instrumentos de justiça e misericórdia.  "Julgou a causa do aflito e do necessitado, e por isso lhe sucedeu bem. Não é isso que significa conhecer-me? Diz o Senhor" – Jeremias 22:16.

A Rede Fale é um movimento de jovens, homens e mulheres que juntos oram e se manifestam em favor da justiça, desenvolvendo atividades que visam conscientizar e promover os valores do Reino de Deus no Brasil e no mundo, com especial atenção para os aspectos econômicos e seus efeitos na desigualdade e na ampliação da miséria através de campanhas temáticas. Entendemos que devemos assumir nossa vocação em favor daqueles que não podem se defender.

O que que Deus deseja de você? "E que o Senhor pede de você? Pratique a justiça e ame a misericórdia e ande humildemente com Deus" Miquéias 6:8.

Caio Marçal é Sec. de Mobilização da Rede FALE  E-mail: caioabu@gmail.com

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Pessoal do Alpendre

Iago Araújo é estudante de Psicologia, mora no Ceará e seu maiorIago.    sonho é ser pastor. Leva a vida com alegria e preza pelos amigos que tem. Gosta muito de escrever sobre relações humanas e Ética, procurando falar com simplicidade e criatividade.  Escreve também no juvenil blog dos JOvens Betesda. Está na Betesda  desde  2002, sendo que começou na Betesda de Sobral-Ce e atualmente está na Betesda do Joaquim Távora, Fortaleza, onde lidera um pequeno grupo de adolescentes.

Gosta de ouvir: Hillsong, Hillsong United, Lucas Souza, Los Hermanos, Raiz Coral, Nando Reis e Marisa Monte, Lenine.
Gosta de ler: Brian McLaren, Martin Buber, Carl Rogers, Philip Yancey, Elienai Cabral Jr. …
Gosta de comer e beber: uma pizzazinha de leve com os amigos e bom suco!
Links: Orkut, Twitter, email

Wendel Cavalcante é professor de História e wendelatualmente trabalha  com Ciência & Tecnologia. Às vezes parece ser um pouco desligado, mas na verdade é desprendido. Se considera um eterno aprendiz e canta que “a vida é bonita, é bonita e é bonita”. Resolveu garimpar nas suas agendas alguns momentos e experiências do seu cotidiano e compartilhá-los no blog ESTRADA SOU. Também coopera no blog dos JOvens Betesda.

Gosta de ouvir: Bob Marley, Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Dr. Zeh, e de tudo um pouco.
Gosta de ler: Patativa do Assaré, Literatura de Cordel, Rubem Alves, Umberto Eco, Jostein Gaarder, Antoine de Saint-Exupéry e por aí vai.
Gosta de comer: Baião de dois com pargo frito, farofa e macaxeira frita, caranguejo e as tapiocas da Princesa. Recomenda o Chopp de Vinho do Bixiga, no Dragão do Mar, em Fortaleza.

 

Também tem:

image Caio Cézar Marçal

marcio2 Márcio Cardoso

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Perder-Achar-Celebrar



Semana passada estava conversando com um amigo pela internet enquanto terminava um trabalho pendente. Já era quase meia noite. E um texto que escolhi para meditar, enquanto fazia um balanço do meu dia, foi o de Lucas 15. Resolvi, então, compartilhar o texto para que ele também pudesse refletir. O interessante foi que ele me respondeu dizendo que não concordava com o desfecho da parábola do filho pródigo e nem sabia por que essas histórias estavam lá registradas. Fiquei de conversar com ele depois, uma vez que ele me deixou curioso com sua discordância.
E foi nessa noite, que inclusive custei a dormir, que a parábola da dracma perdida ficou martelando na minha mente, que transcrevo do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas, capítulo 15. 8-10:
“Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.”
E para quem não sabe, uma dracma era o equivalente ao pagamento de um dia de trabalho naquela época. Portanto, algo muito valioso.

Aí fiquei a me perguntar: quantas coisas valiosas não tenho perdido?

Mas essa mulher nos ensina a não ficarmos parados e nos chama para a ação: acender a candeia, varrer a casa, procurar até achar e celebrar.

É gratificante quando encontramos, resgatamos, achamos... algo que estava perdido nas nossas vidas! Tenho aprendido a resignificar, inclusive, o valor do trabalho, do tempo, dos relacionamentos!

Quando analisamos a situação pelo paradigma do perde-ganha, o medo, a ansiedade, a desconfiança, a insegurança, a dúvida nos rodeiam e assim titubeamos em deixar as noventa e nove ovelhas, ou as outras nove dracmas, ou um dos dois filhos ou ainda outras coisas, seja qual for o universo, para ir em busca do que, também, é valioso, precioso, singular.

Como você tem lidado com suas experiências de perder-achar-celebrar? Qual é a sua dracma perdida?

Vamos lá! Acenda a luz na sua vida! Faste a mobília, retire os tapetes e cortinas! E não se esqueça de varrer e procurar até achar “sua dracma”!

Da última vez que celebrei teve até churrasquinho e a companhia do Iago, Anderson, Camila, Diego Bombom, Lucas, Filipe e Paulinho Brasil! Heheheheheh!!!!

Um grande abraço!

Wendel Cavalcante.

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sobre ciscos e Traves

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1não julgueis, para que não sejais julgados.

2Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.

3Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?

4Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?

5Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.

6Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem. (Mateus 7)

No vídeo “Was Jesus Funny”, do Pr Mark Driscoll (para assistir clique na imagem), essa passagem é tida como um momento representante do bom humor de Jesus. Já pensou alguém com uma Trave alarmante no olho falar de alguém que está com um palito de dentes na boca? Pode ser hilário, mas também é mais do que isso.

Com o propósito de diminuir nossos erros e defeitos, passamos a apontálos nos outros; dizemos que “eles são isso”, que “você é aquilo” e mudamos o foco da visão para o diferente. Jesus então nos orienta a nos percebermos, a nos conhecermos, olhando melhor para nós mesmos, o que nos “capacitaria” para, então, olhar para o cisco do outro. Mas será que o ensinamento de Jesus foi para que somente os puros pudessem falar do "mal" alheio? Seria nescessário estar puro moralmente para poder falar do outro, então?

Não é o fato de eu estar limpo moralmente que me capacita ou me autoriza a falar de um comportamento do outro. A gente sabe que qualquer hábito, mesmo o pecaminoso, é importante na vida das pessoas, estruturante da personalidade. Por exemplo: a atividade de uma prostituta é estruturante na vida dela, sem essa atividade essa vida demorona e falece; seria como tirar de repente a viga que sustenta a casa. É necessário cuidado, é importante paciência, é preciso ter a empatia, é fundamental o amor.

Fundamental na transformção é sentir a dor do outro, ouvir o que ele sente.

Tire primeiro a trave do seu olho. Veja como é difícil. Sinta a dor. Conheça o processo e isso vai te permitir auxiliar na cura do teu próximo. Não foi assim com Jesus? Acaso Ele não veio para nos ensinar a viver, vivendo? Sentiu nossas dores, sofreu nossas tentações, passou fome, sede, solidão e venceu. Mas o que aconteceu com Ele não o tornou somente um mestre moral. Ele foi Deus também e como Deus conheceu nossas dores para então se relacionar mais de perto.

Tirar a trave não diz respeito somente a ser puro, do contrário, “aquele que está sem pecados atire a primeira pedra”, disse Jesus. Diz respeito, antes, a amar e acolher em si a dor do outro. Sentir (n)a dor do outro.

Quando estaríamos aptos a ajudar nossos amigos a crescer? Nunca! Por que nunca estariamos puros. No entanto, o fato de eu ter passado por uma experiência de cura me permite dialogar e auxiliar nesse processo não como alguém que olha de cima, mais santo ou mais puro, mas de igual para igual, porque ambos conhecem a experiência da dor.

Que traves tiramos? Que curas passamos? Que Julgamentos temos? No que poderemos auxiliar na transformação das pessoas?

Ao falar dos erros alheios não nos esqueçamos da dor que é passar por uma dificuldade e do quanto é doloroso arrancar as flechas do peito.

Sintamos a dor, como quem a viu (vê) de perto.

Lembremos do exemplo de Jesus. Isso se chama empatia, que se dá a partir do encontro com a nossa humanidade e se abre para humanidade do outro.

Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhose colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos
para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com os teus olhos
E tu ver-me-ás com os meus.

     Trecho do Poema "O Encontro", de Levy Jacob Moreno, Psicodramatísta.

 

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terça-feira, 21 de julho de 2009

Eu também tenho um sonho!


"Eu tenho um sonho!"
Essa frase tem atravessado as gerações depois que Martin Luther King proferiu discurso para mais de 200 mil pessoas e para o mundo, em 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C. Era a Marcha de Washington por Empregos e Liberdade. Foi, sem sombra de dúvidas, um momento chave na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis.

Alguns dias atrás fui surpreendido com uma declaração ao meu respeito do tipo que falta chão nos pés. Foi um daqueles golpes que deixa o sujeito atordoado.
A minha primeira reação foi querer me fechar na minha Fortaleza e só baixar a ponte levadiça quando me sentisse seguro para dar uma resposta a altura.
Ainda bem que fiquei senhor das palavras que não disse. Pior seria ficar escravo delas e, assim, jogar uma pá de cal no sonho que tenho de fazer diferença na minha geração.
E numa mensagem que recebi, e que compartilho com vocês a seguir, vi mais do que um desabafo desaforado: vi a oportunidade de compartilhar o mundo que acredito ser capaz de construir junto com outras pessoas e com os meus amigos, assim com Martin Luther King compartilhou o seu sonho com sua geração. Eu também tenho um sonho!

"Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele !"

Abração!

Wendel Cavalcante

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Multiplicação de Oportunidades

 

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O povo estava com fome. Vinha seguindo Jesus desde algum tempo e ficava na espera. Andando com Jesus qualquer coisa podia acontecer. O homem já tinha transformado água em vinho, curado muitas pessoas, andado sobre as águas. O que Ele faria nessa próxima vez? Multiplicaria pães, peixes e oportunidades.

Sempre olhei para o momento da multiplicação dos pães com o olhar da multidão: olhos de quem quer ver o milagre, olhos de quem espera acontecer, de quem vê a vida passar, de quem se vê na comodidade de ser menor, de ser dependente. Quem tem sede de resultados e respostas, olha para os pães e peixes multiplicados. Quem tem sede de vida, de autonomia, de Deus, olha para Jesus e para o que Ele fez no momento dessa multiplicação de pães e peixes.

Ele olha para multidão e vê um povo que pede ajuda, um povo que depende dEle. É desse jeito dependente que aprendemos a viver com Deus. O que falta existe nEle; o que precisamos, encontramos nele, e partir daí é que estabelecemos a nossa relação com Ele.

Deus, porém, em Jesus, ensinou-me algo mais. Ele fez uma pergunta. E quem pergunta, abre-se para respostas; quem pergunta permite o complemento de outrem.

Ao perguntar, Deus permite que seus discípulos sejam colaboradores dEle: “o que faremos para alimentar a multidão?”.

Essa pergunta vinda de uma pessoa qualquer traz poucas mudanças, mas vinda de Deus, muda tudo. O homem é recriado a cada pergunta, a cada oportunidade e é assim que o mundo é regenerado. Deus quer ver o homem respondendo, tornando-se responsável (hábil para responder) e não mero dependente.

A pergunta de Jesus abre oportunidades e nos ensina a seguir a diante para onde Ele aponta. Ele diz: “ o que podemos fazer?” E algumas respostas surgem: “despede as multidões”, “nem muito dinheiro seria capaz de comprar pão suficiente para essa multidão”, “temos só uma criança com 5 pães e 2 peixes”.

As respostas são simples, mas muito mais do que ouvir soluções certas, Deus queria poder contar com o homem e se juntar a ele na (re)criação da vida. “Passa pra cá esse pães e os peixes”. "Façam pelo menos o possível e contem com a minha ajuda quando precisarem!"

O trabalho de Deus não é egocêntrico. É trabalho que gera autonomia e não dependência, não gera espera, mas proatividade. Quando curava dizia “não digam por aí que fui eu”, quando perdoava dizia “Vai… (e não peques mais)”. Lembro agora de uma história do missionário Pedro do Borel, quando esteve na Betesda Sede (2005), ele dizia:

“pedi a Jesus para ir a Jerusalém e andar por onde Ele andou, mas Ele me disse que era Ele quem queria ter a honra de andar por onde eu andasse.”

A história do missionário tem tudo a ver com a frase de Jesus “quem crê em mim, obras maiores fára”. O Salvador nos diz que continuaríamos a caminhada, que seus seguidores não deveriam fazer somente o que  Ele fez a 2 milênios atrás, mas fazer novas coisas, criar!

A pergunta de Jesus em meio a necessidade do povo de sua época abre espaços para que seus discípulos pudessem colaborar com Ele na (re)criação.

Nosso mundo ainda precisa de ajuda!

Deus nos faz algumas perguntas (quais?) e abre-se para que possamos criar um novo mundo ao seu lado. Ficar sem responder é estagnar-se no tempo de adão, é não recriar e não se renovar.

Nossas respostas podem não ser suficientes, mas são válidas e fundamentais.

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